Quais os efeitos do exercício físico na Doença de Parkinson?

Doença de Parkinson e exercício físico, quais são os efeitos a longo prazo?

Os efeitos benéficos do exercício físico já são conhecidos na doença de Parkinson, mas ainda restam dúvidas sobre os efeitos deste a longo prazo.

Efectivamente, o tratamento farmacológico é a primeira linha de ação para o tratamento das pessoas com Doença de Parkinson. No entanto, o exercício físico e a fisioterapia encontram-se num lugar de destaque, sendo recomendados como adjuvantes da terapia farmacológica, pelo Painel de Medicina Baseada em Evidência, da Movement Disorder Society. Isto porque, as complicações que resultam das quedas, originadas pelas alterações da marcha e equilíbrio, persistem mesmo com a medicação otimizada.

Uma revisão científica, publicada na revista Neurology, demonstra os efeitos benéficos do exercício físico e da fisioterapia na doença de Parkinson a longo prazo, colmatando esta lacuna na investigação científica. Isto porque, devido à natureza progressiva e neurodegenerativa da DP, é importante conhecer estes benefícios.

 

Realizaram-se estudos com uma duração mínima de 12 semanas, que abordaram as seguintes áreas de intervenção: força muscular, marcha, equilíbrio e capacidade física, verificando-se que o exercício físico consegue modificar os sintomas motores e a capacidade funcional a longo prazo em pessoas com doença de Parkinson.

 

O treino de equilíbrio possui o efeito mais duradouro, seguido do treino de marcha.

O treino de equilíbrio demonstrou melhorias ao nível do equilíbrio, da marcha e da mobilidade e ainda, um efeito preventivo ao nível de quedas. Estes resultados foram visíveis até 12 semanas, após a intervenção.

 

Com o treino de marcha foram registadas melhorias na capacidade e na performance da marcha até 6 meses após o final da intervenção. Verificou-se também que, para serem obtidas melhorias ao nível motor é essencial uma intervenção com duração superior a 12 semanas.

 

Conclui-se que estas intervenções têm o potencial de aumentar a eficácia do tratamento farmacológico e retardar a progressão da doença em indivíduos com DP.

 

 

Departamento Neurofisioterapia

Fonte: Mak, M. K., Wong-Yu, I. S., Shen, X., & Chung, C. L. (2017). Long-term effects of exercise and physical therapy in people with Parkinson disease. Nature Reviews Neurology, 13(11), 689.