O Divórcio e a Alienação Parental

A Associação Pais para Sempre demonstra que 40% a 56% das crianças de filhas de pais divorciados tomam o partido do progenitor guardião e que cerca de 16% sofrem de Alienação Parental.

 

A Síndrome da Alienação Parental diz respeito a um fenómeno real e considera-se quando um dos pais “programa” o filho para odiar o outro, construindo-lhe cuidadosamente uma imagem negativa que leva ao afastamento físico e emocional do filho do seu progenitor.

 

O psiquiatra Ricard Gardner refere alguns sinais a que tem de estar atento para perceber se está diante de uma alienação parental: recusar passar as chamadas telefónicas aos filhos; organizar atividades com os filhos durante o período de visita do outro progenitor; apresentar um novo conjugue como sua nova mãe ou seu novo pai; intercetar o correio ou os presentes enviados para os filhos; desvalorizar e insultar o outro progenitor diante dos filhos ou tomar decisões importantes a propósito dos filhos sem consultar o outro progenitor.

 

É fundamental ter consciência de que os efeitos da alienação parental nos filhos são absolutamente devastadores. A psicóloga Amy Baker afirma que num processo inicial a criança manifesta um grande sentimento de perda: a necessidade de fazer o luto de um pai que ainda está vivo. A médio prazo, é constante a sensação de que “falta alguém na minha vida”, pois toda a interação, apoio e amor que existiu desvaneceu. A angústia deste processo é tão marcada que se manifesta através da ansiedade, medo de separação, medo do abandono, alterações dos padrões de sono e alimentares e comportamentos regressivos que terão impacto significativo no desenvolvimento das nossas crianças.

 

Como proteger, então, o seu filho da Alienação Parental?

 

– Fornecer as informações necessárias sobre a separação bem como se irão desenvolver as novas rotinas para que o futuro seja mais ou menos previsível e para que se sintam seguros;
– Cumprir com as visitas acordadas e demonstrar interesse em comunicar com os nossos filhos;
– Quando falar do outro progenitor falar de forma clara e correta, evitando desvalorizar, insultar ou difamar a sua imagem;
– Permita que seja o seu filho a criar a imagem do outro progenitor;
Lembre-se, tanto um pai como uma mãe são fundamentais na vida de um filho;
– Por mais difícil que seja a relação com o outro progenitor, é crucial conseguirem comunicar sobre elementos importantes da vida dos vossos filhos. Caso sinta que tal não é possível, procure ajuda através de um mediador familiar*;

 

Não se esqueça de que os filhos não se divorciam dos pais e têm direito de contar com a presença física de ambos os progenitores.

 

 

*Peça ajuda aos nossos profissionais especializados. 

 

@Yennyfer Martins – Psicóloga Clínica